OSTEOGÊNESE IMPERFEITA


O Dia 6 de MAIO é um dia particularmente importante para todos nós. É o dia Internacional dos Portadores da Osteogênese Imperfeita.

BASE GENÉTICA

A Osteogênese Imperfeita (OI) tem em sua etimologia a gênese imperfeita dos ossos, que causa, além da fragilidade óssea, fraturas recorrentes e deformidades, surdez precoce, escleras azuladas e dentiogênese imperfeita (Smith R, 1994). Essas alterações estão associadas a mutações nos genes responsáveis pelo processamento da proteína do colágeno Tipo 1. A OI tem incidência em torno de 10.000 indivíduos e é associada em sua maioria, a anormalidades na síntese e/ou estrutura do Colágeno do tipo I (Byers T, 1997). Hoje, é possível encontrar centenas de mutações nesses genes documentados na literatura.

Na maioria dos casos a OI, ocorre devido a uma mutação dominante nos genes COL1A1 ou COL1A2 localizados nos cromossomos 17 e 7 respectivamente. Estes genes codificam as cadeias α1 e α2 do colágeno tipo 1 (Sykes B, 1990).

ASPECTOS CLÍNICOS

A apresentação clínica é heterogênea e variável, sendo, no entanto, marcantes a fragilidade óssea, a frouxidão capsulo-ligamentar, a cor azulada da esclera e a surdez. No quadro laboratorial, a fosfatase alcalina (Glorieux FH, 2000) sérica acha-se frequentemente aumentada, não sendo observadas, porém, alterações nos níveis sistêmicos do cálcio, fósforo, hormônio da paratireoide ou mesmo da vitamina D. (Monti E, 2010).


Retirado de: Watzl et al., 2009.

CLASSIFICAÇÃO DA OSTEOGÊNESE

A OI manifesta-se através de diferentes fenótipos (I-IV), segundo a classificação de Sillence et al, 1986. Baseado em critérios clínicos e radiológicos, esses autores identificaram quatro tipos de OI. A forma mais leve é a OI tipo I, enquanto a OI tipo II é a forma mais severa, perinatal letal. É subdividida em IIA, quando a mutação ocorre em um dos genes formadores do colágeno tipo I, ou em IIB, quando a mutação é no gene regulador CRTAP (cartilage associeted protein). Crianças com OI tipo III podem morrer na infância por problemas respiratórios; muitas morrem de pneumonia, cor pulmonale (alteração na estrutura e funcionamento do ventrículo direito), ou traumas como fraturas cranianas. A OI tipo IV é a menos comum e tem algumas similaridades com os fenótipos da forma leve do tipo I e do tipo III, sendo muito heterogêneo. Com o avanço dos estudos genéticos subtipos foram descobertos baseados na mutação gênica e organização molecular, porém segue-se o padrão clínico e radiológico para diagnóstico.

DIAGNÓSTICO PADRÃO

O diagnóstico habitualmente é feito mediante a história clínica, o aspecto ao exame físico e constatações radiográficas, testes bioquímicos e moleculares para quantificar e qualificar o colágeno, não existindo exame complementar de uso prático que seja específico para a confirmação da doença, nem tampouco uma adequada correlação clínico-laboratorial para cada tipo de apresentação fenotípica da classificação proposta por Sillence et al (1986). Vale a ressalva que embora exista o avanço genético, a classificação continua sendo fenotípica, ou seja, a apresentação clinica determinará a classificação da doença.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Baseia-se inicialmente na eliminação de possibilidades mais comuns de osteopenia. 1. Baixa ingestão de Cálcio 2. Deficiência de Vitamina D 3. Escorbuto 4. Desnutrição 5. Hiperparatireoidismo 6. No caso de crianças – procurar meios de excluir maltrato infantil

INSTITUIÇÕES DE APOIO



REFERÊNCIAS

Smith R. Osteogenesis imperfecta: from phenotype to genotype and back again. Int J Exp Pathol. 1994. Aug;75(4):233-41.

Byers, T et al. American Cancer Society guidelines for screening and surveillance for early detection of colorectal polyps and cancer: Update 1997. Ca-Cancer J Clin. 1997 May-Jun;47(3):154-&.

Sykes B et al. Consistent linkage of dominantly inherited osteogenesis imperfecta to the type I collagen loci: COL1A1 and COL1A2. Am J Hum Genet. 1990 Feb;46(2):293-307.

Sykes B, Ogilvie D, Wordsworth P, Wallis G, Mathew C, Beighton P, et al. Consistent linkage of dominantly inherited osteogenesis imperfecta to the type I collagen loci: COL1A1 and COL1A2. Am J Hum Genet. 1990 Feb;46(2):293-307.

Glorieux FH, Rauch F, Plotkin H, Ward L, Travers R, Roughley P, et al. Type V osteogenesis imperfecta: a new form of brittle bone disease. J Bone Miner Res. 2000 Sep;15(9):1650-8.

Monti E, Mottes M, Fraschini P, Brunelli P, Forlino A, Venturi G, et al. Current and emerging treatments for the management of osteogenesis imperfecta. Ther Clin Risk Manag. 2010;6:367-81.

Sillence DO, Barlow KK, Cole WG, Dietrich S, Garber AP, Rimoin DL. Osteogenesis imperfecta type III. Delineation of the phenotype with reference to genetic heterogeneity. Am J Med Genet. 1986 Mar;23(3):821-32.

Watzl, Marcelo de Toledo Piza; ABREU, Antonio Vitor de and KRUSE, Richard. Tratamento cirúrgico das deformidades e fraturas em membros inferiores na osteogênese imperfeita. Acta ortop. bras. [online]. 2009, vol.17, n.4 [cited 2017-05-03], pp.202-206


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