SÍNDROME ALCOÓLICA FETAL


O etanol, sob forma de bebidas (vinho, cerveja, uísque, gin, vodka, licor), é o principal responsável por retardo mental nos filhos de mães alcoolistas e o mais relevante agente teratogênico no mundo ocidental. Os efeitos no feto em desenvolvimento têm apresentação ampla, desde alterações sutis até malformações clinicamente sérias.

Em um extremo da curva, o feto e o recém-nascido podem apresentar a síndrome alcoólica fetal (SAF), expressão daquela que é considerada uma das doenças com maior comprometimento neuropsiquiátrico em bebês de mulheres alcoolistas. Descrita pela primeira vez há pouco mais de 40 anos, em 1968, pelo pesquisador e pediatra francês Lemoine, a SAF é uma doença que desperta a atenção da comunidade científica desde essa época, embora haja descrições de casos desde a Antiguidade.

Apesar da ligação entre álcool e malformações fetais já ser conhecida, ainda nos dias atuais não há um consenso sobre qual quantidade de bebida alcoólica ingerida na gravidez compromete o feto. A maioria das recomendações, no entanto, estão ao lado da abstenção completa da ingestão de álcool durante os períodos pré-conceptual e pré-natal

O alcoolismo na gravidez é associado a más condições socioeconômicas, nível educacional baixo, multiparidade, desnutrição, doenças infecciosas e uso de outras drogas. A prevalência do alcoolismo entre mulheres ainda é significativamente menor que a encontrada entre os homens, cerca de 33%. Ainda assim, o consumo abusivo e/ou a dependência do álcool trazem, reconhecidamente, inúmeras repercussões negativas sobre a saúde física, psíquica e a vida social da mulher.

Múltiplos termos são usados para descrever os efeitos resultantes da exposição pré-natal ao álcool no concepto. Entre eles a síndrome alcoólica fetal (SAF), o efeito alcoólico fetal (EAF), os defeitos congênitos relacionados ao álcool (alcohol-related birth defects – ARBD), as desordens de neurodesenvolvimento relacionadas ao álcool (alcohol-related neurodevelopmental disorders – ARND). E mais recentemente, a expressão espectro de desordens fetais alcoólicas (fetal alcohol spectrum disorders – FASD) que engloba os anteriores.

O quadro clínico mais grave é representado pela SAF e os efeitos deletérios ao embrião e ao feto incluem alterações físicas, mentais, comportamentais e/ou de aprendizado que podem se perpetuar por toda a vida. Os indivíduos afetados muitas vezes têm problemas de memória, atenção, linguagem e audição. Têm dificuldades em solucionar problemas, conflitos com a justiça e risco de abuso de álcool e de outras drogas.

A síndrome é irreversível, contudo se o tratamento for precoce pode ajudar a reduzir os sintomas.

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